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sexta-feira, 25 de junho de 2010

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Ficou linda a homenagem...adorei.

Os Haikas não pedem muito apreciação e nem juizo de valor do leitor, eles querem ser aprecisados do hjeito que se apresentam, e querem ser sempre fotografia do momento , não tem muitas intenções maiores a não ser a de sintetizar.

Bjinho minha linda

Erikah

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Haicai Paulo Leminski


Poeta Paulo Leminski


Paulo Leminski nasceu aos 24 de agosto de 1944 na cidade de Curitiba, Paraná. Em 1964, já em São Paulo, SP, publica poemas na revista "Invenção", porta voz da poesia concreta paulista. Casa-se, em 1968, com a poeta Alice Ruiz. Teve dois filhos: Miguel Ângelo, falecido aos 10 anos; Áurea Alice e Estrela. De 1970 a 1989, em Curitiba, trabalha como redator de publicidade. Compositor, tem suas canções gravadas por Caetano Veloso e pelo conjunto "A Cor do Som". Publica, em 1975, o romance experimental "Catatau". Traduziu, nesse período, obras de James Joyce, John Lenom, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros, colaborando, também, com o suplemento "Folhetim" do jornal "Folha de São Paulo" e com a revista "Veja". No dia 07 de junho de 1989 o poeta falece em sua cidade natal. Paulo Leminski foi um estudioso da língua e cultura japonesas e publicou em 1983 uma biografia de Bashô. Sua obra tem exercido marcante influência em todos os movimentos poéticos dos últimos 20 anos. Seu livro "Metamorfose" foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Em 2001, um de seus poemas ("Sintonia para pressa e presságio") foi selecionado por Ítalo Moriconi e incluído no livro "Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", Editora Objetiva — Rio de Janeiro.
Bibliografia:

- Catatau (prosa experimental). Curitiba, Ed. do Autor, 1975.

- Quarenta clic's de Curitiba. Poesia e fotografia, com o fotógrafo Jack Pires. Curitiba, Etecetera, 1976.

- Polonaises. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

- Não fosse isso e era menos/ não fosse tanto e era quase. Curitiba, Zap, 1980.

- Tripas. Curitiba, Ed. do Autor, 1980.

- Caprichos e relaxos. São Paulo, Brasiliense, 1983.

- Agora é que são elas (romance). São Paulo, Brasiliense, 1984.

- Hai Tropikais (com Alice Ruiz). Ouro Preto, Fundo Cultural de Ouro Preto, 1985.

- Um milhão de coisas. São Paulo, Brasiliense, 1985.

- Guerra dentro da Gente. São Paulo, Scipione, 1986.

- Caprichos e relaxos. São Paulo, Círculo do Livro, 1987.

- Distraídos venceremos. São Paulo, Brasiliense, 1987.

- A lua foi ao cinema. São Paulo, Pau Brasil, 1989.

- La vie en close. São Paulo, Brasiliense, 1991.

- Metaformose, uma viagem pelo imaginário grego (prosa poética/ ensaio). Iluminuras, São Paulo, 1994. (Prêmio Jabuti de Poesia, 1995)

- Winterverno (com desenhos de João Virmond). Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1994.

- Szórakozott Gyozelmunk (Nossa Senhora Distraída) — Distraídos venceremos, tradução de Zoltán Egressy.

- Coletânea organizada por Pál Ferenc - Hungria, ed. Kráter, 1994.

- Descartes com lentes (conto). Col. Buquinista, Fundação Cultural de Curitiba, Curitiba, 1995.

- O ex-estranho. Iluminuras, São Paulo, 1996.

- Melhores poemas de Paulo Leminski. (seleção Fréd Góes) Global, São Paulo, 1996.

- Aviso aos náufragos. Coletânea organizada e traduzida por Rodolfo Mata. Coyoacán - México,   Eldorado Ediciones, 1997.

- Agora é que são elas (romance). Fundação Cultural de Curitiba, 1999.

IMAGENS -Ikebana - Arte Floral Japonesa




A palavra ikebana significa "fazer viver as flores"; 
"ike" de Ikey = fazer viver; e "bana" de Hana = flor.

Ikebana é uma arte floral enraízada na cultura nipônica. A Ikebana é um arranjo harmônico composto por um vaso, caule, folhas, ramos e flores.
A Ikebana é uma arte milenar originada da Índia, uma oferenda à Buda. Mas foi no Japão que a Ikebana ganhou importância ao unir uma linguagem simbólica com conceitos decorativos, buscando harmonizar as energias da natureza, de maneira a elevar a sensibilidade das pessoas.
A arte da Ikebana é muito popular no Japão, praticada sem discriminação de sexo ou idade. Há vários estilos de Ikebana, das mais simples as mais complexas, mas todas são uma forma de desejar ou obter boas energias, harmonizando alma e natureza. Uma primavera interior capaz de elevar o espírito proporcionando equilíbrio mental e paz.
O ikebana quer transmitir a idéia de crescimento contínuo na vida e vitalidade.O ikebana deseja alcançar a recriação do crescimento floral, baseando-se na importância da linha, ritmo e cor. É importante citar que os ocidentais dão maior importância à quantidade e cores do material, apreciando a beleza das flores; já os japoneses dão ênfase à linha do arranjo, desenvolvendo a arte com objetivo de incluir hastes, folhas, ramos assim como flores.

A haste principal é que forma a linha central do arranjo, chamado de "Shin", e simboliza o Céu, devendo-se escolher o exemplar mais forte que o arranjador tiver em mãos.

A haste secundária ou "Soe" representa o Homem, parte da linha central é colocada de maneira a produzir o efeito de crescimento lateral, devendo ter cerca de dois terços da altura da haste principal.

A haste terciária ou "Hikae" simboliza a Terra. É a mais curta e é colocada à frente ou ligeiramente no lado oposto ao das raízes das duas outras.

POESIAS - Estudo de Haicai - por Paulo Leminsky -





HAICAI OU HAIKAI O QUE É ISSO?

O Haikai ou Haicai como dizemos em português, é uma pequena poesia com métrica e molde orientais, surgida no século XVI, muito difundida no Japão e vem se espalhando por todo o mundo durante este século. Possui uma longa história que retoma a filosofia espiritualista e o simbolismo Taoista dos místicos orientais e mestres Zen-budistas que expressam muito de seus pensamentos na forma de mitos, símbolos, paradoxos e imagens poéticas. Isto se deve à tentativa de transcender a limitação imposta pela linguagem usual e pensamento linear e científico que trata a natureza e o próprio ser humano como máquina. Na filosofia Zen, assim como no Haicai, é necessário ter introspecção e análise mais profunda fazendo-se perceber e descobrir curiosos e belos fatos naturais que de outra forma passariam despercebidos. O objetivo é capturar a essência do local numa poesia contemplativa e descritiva com grande valorização nos contrastes, na transformação e dinâmica, na cor, nas estações do ano, na união com a natureza, no que é momentâneo versus o que é eterno (ruptura do contínuo) e no elemento de surpresa.


É uma forma extremamente concisa de poesia que "gira" em torno de uma série bem definida de regras, mas nem sempre obedece sua forma original, podendo ser adaptada para diversas circunstâncias. Assim, existem poemas baseados em apenas algumas das características do Haicai:

Poesia de três linhas e 17 sílabas normalmente distribuídas na forma 5, 7 e 5 sílabas respectivamente em cada linha.

Assim como o "click" de uma máquina fotográfica, deve registrar ou indicar um momento, sensação, impressão ou drama de um fato específico da natureza. É aproximadamente a imagem de um "flash" ou resultado de um "insight" (=visualização/iluminação), cercado de pureza, simplicidade e sinceridade.

Não costuma haver posicionamento do poeta, pois é preferencialmente uma descrição do presente evitando comparações ou conceitos do tipo "isso é belo (ou feio), etc", evitando o aparecimento das fraquezas do ser humano perante a natureza.

Mais que inspiração, é preciso meditação, esforço e principalmente percepção para a composição de um verdadeiro Haicai. 


sexta-feira, 18 de junho de 2010

“Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida.” . José Saramago

Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.


1922 - 2010
Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.

Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti eu nem sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.

No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas de espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.

Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.

José Saramago
"Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala
e retirou a carta de cor violeta.
Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar,
sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava.
.
Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde,
ela que poderia desfazer o papel com o olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira,
ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos,
e era um simples fósforo, o fósforo comum, o fósforo de todos os dias,
que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir.
.
Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e,
sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia,
sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras.
No dia seguinte ninguém morreu."
.
José Saramago
in "As Intermitências da Morte”