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quarta-feira, 12 de maio de 2010


No ano de 1871, Eça de Queirós disse:

«Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os carácteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: “o país está perdido!”
Algum opositor do actual governo?... Não!»


José Maria Eça de Queirós nasceu em 1845, uma cidade chamada Póvoa de Varzim, em Portugal.

Como seus pais não eram oficialmente casados, Eça foi registrado como filho de mãe desconhecida. Passou, então, a infância sem seus pais e viveu com os avôs paternos.

Já crescido, entrou na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1861. Tentou a carreira de advogado, mas por pouco tempo, pois na década de 1870 ingressou na carreira diplomática, que o levou a lugares como Havana, Bristol e Paris.

Paris tem uma singular importância na vida do autor, já que foi nessa cidade em que se casou, com a D. Emília de Castro Pamplona e também foi nela em que faleceu, algumas décadas depois.

A década de 1870 é conhecida por ser a época em que Eça se dedicou com mais afinco à literatura. Obras como “O crime do padre Amaro” e “O primo Basílio” foram escritas durante esse período.

Além dos romances, Eça colaborou para inúmeras publicações, como a Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro, Renascença, Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Ocidente e Correspondência de Portugal.
Influente, fundou a Revista Portugal em 1889 e a dirigiu até 1892 - ao todo, foram 24 números.

Seus livros mostram um leque diverso de temas e abordagens. Temas polêmicos como os vistos em “O crime do padre Amaro” e “Tragédia da Rua das Flores”, mas com a profundidade de sua escrita, consagraram Eça e o fazem, até hoje, ter amplo reconhecimento na literatura mundial.
Eça de Queiroz morreu aos 55, em agosto de 1900.

Entre as obras do autor, destacam-se:
- O Crime do Padre Amaro (1876);
- O Primo Basílio (1878);
- Os Maias (1888);
- Fraternidade (1890);
- As Minas de Salomão (1891);
- Um Génio que era um Santo (1896);
- A Duse (1898);
- A Correspondência de Fradique Mendes (1900);
- A Ilustre Casa de Ramires (1900);
- A Cidade e as Serras (1900);
- Episódios da Vida Romântica;
- Eusébio Macário;