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segunda-feira, 13 de setembro de 2010


 Manuel Bandeira, cuja obra vincula-se à primeira geração do modernismo, é um dos maiores poetas brasileiros. Sua poesia, marcada pela experiência trágica da tuberculose, trata da morte, do amor e do cotidiano, em versos livres nos quais se destacam o humor, a melancolia, por vezes a amargura diante da vida. 


Imagens de John William Waterhouse - Poesias Manuel Bandeira

O RIO
Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranqüilas.


Manuel Bandeira

Letra para uma valsa romântica

A tarde agoniza
Ao santo acalanto
Da noturna brisa.
E eu, que também morro,
Morro sem consolo,
Se não vens, Elisa!


Ai nem te humaniza
O pranto que tanto
Nas faces desliza
Do amante que pede
Suplicantemente
Teu amor, Elisa!


Ri, desdenha, pisa!
Meu canto, no entanto,
Mais te diviniza,
Mulher diferente,
Tão indiferente,
Desumana Elisa!

Lua Nova
Meu novo quarto
Virado para o nascente:
Meu quarto, de novo a cavaleiro da entrada da barra.


Depois de dez anos de pátio
Volto a tomar conhecimento da aurora.
Volto a banhar meus olhos no mênstruo incruento das madrugadas.


Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir:
Hei de aprender com ele
A partir de uma vez
- Sem medo,
Sem remorso,
Sem saudade.


Não pensem que estou aguardando a lua cheia
- Esse sol da demência
Vaga e noctâmbula.
O que eu mais quero,
O de que preciso
É de lua nova
Crepúsculo de Outono

O crepúsculo cai, manso como uma benção.
Dir-se-á  que o rio chora a prisão de seu leito...
As grandes mãos da sombra evangélicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.


O outono amarelece e despoja os lariços.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitiços.
As flores morrem. Toda a relva entra a murchar.


Os pinheiros porém viçam, e serão breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura unânime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.


Um sino plange. A sua voz ritma o murmúrio
Do rio, e isso parece a voz da solidão.
E essa voz enche o vale...o horizonte purpúreo...
Consoladora como um divino perdão.


O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas há, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente extática semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.


A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperança e uma tão grande paz
Avultam do clarão que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrás.


O IMPOSSÍVEL CARINHO

Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!




Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.


As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Versos Escritos N'água

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.


- Eu faço versos como quem morre.
A ESTRELA

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Manuel Bandeira

Poeta Manuel Bandeira

"...o sol tão claro lá fora, o sol tão claro, Esmeralda, e em minhalma — anoitecendo."

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu no Recife no dia 19 de abril de 1886, na Rua da Ventura, atual Joaquim Nabuco, filho de Manuel Carneiro de Souza Bandeira e Francelina Ribeiro de Souza Bandeira. Em 1890 a família se transfere para o Rio de Janeiro e a seguir para Santos - SP e, novamente, para o Rio de Janeiro. Passa dois verões em Petrópolis.
Em 1892 a família volta para Pernambuco. Manuel Bandeira freqüenta o colégio das irmãs Barros Barreto, na Rua da Soledade, e, como semi-interno, o de Virgínio Marques Carneiro Leão, na Rua da Matriz.
A família mais uma vez se muda do Recife para o Rio de Janeiro, em 1896, onde reside na Travessa Piauí, na Rua Senador Furtado e depois em Laranjeiras.Bandeira cursa o Externato do Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II). Tem como professores Silva Ramos, Carlos França, José Veríssimo e João Ribeiro. Entre seus colegas estão Sousa da Silveira e Antenor Nascentes.
Em 1903 a família se muda para São Paulo onde Bandeira se matricula na Escola Politécnica, pretendendo tornar-se arquiteto. Estuda também, à noite, desenho e pintura com o arquiteto Domenico Rossi no Liceu de Artes e Ofícios. Começa ainda a trabalhar nos escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana, da qual seu pai era funcionário.
No final do ano de 1904, o autor fica sabendo que está tuberculoso, abandona suas atividades e volta para o Rio de Janeiro. Em busca de melhores climas para sua saúde, passa temporadas em diversas cidades: Campanha, Teresópolis, Maranguape, Uruquê, Quixeramobim.
"... - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.

- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?

- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino."
Em 1910 entra em um concurso de poesia da Academia Brasileira de Letras, que não confere o prêmio. Lê Charles de Guérin e toma conhecimento das rimas toantes que empregaria em Carnaval.
Sob a influência de Apollinaire, Charles Cros e Mac-Fionna Leod, escreve seus primeiros versos livres,em 1912.
A fim de se tratar no Sanatório de Clavadel, na Suíça, embarca em junho de 1913 para a Europa. No mesmo navio viajam Mme. Blank e suas duas filhas. No sanatório conhece Paul Eugène Grindel, que mais tarde adotaria o pseudônimo de Paul Éluard, e Gala, que se casaria com Éluard e depois com Salvador Dali.
Em virtude da eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, volta ao Brasil em outubro. Lê Goethe, Lenau e Heine (no sanatório reaprendera o alemão que havia estudado no ginásio). No Rio de Janeiro, reside na rua Nossa Senhora de Copacabana e na Rua Goulart.
Em 1916 falece sua mãe, Francelina. No ano seguinte publica seu primeiro livro:A cinza das horas, numa edição de 200 exemplares custeada pelo autor. João Ribeiro escreve um artigo elogioso sobre o livro. Por causa de um hiato num verso do poeta mineiro Mário Mendes Campos, Manuel Bandeira desenvolve com o crítico Machado Sobrinho uma polêmica nas páginas do Correio de Minas, de Juiz de Fora.
O autor perde a irmã, Maria Cândida de Souza Bandeira, que desde o início da doença do irmão, havia sido uma dedicada enfermeira, em 1918. No ano seguinte publica seu segundo livro, Carnaval, em edição custeada pelo autor. João Ribeiro elogia também este livro que desperta entusiasmo entre os paulistas iniciadores do modernismo.
O pai de Bandeira, Manuel Carneiro, falece em 1920. O poeta se muda da Rua do Triunfo, em Paula Matos, para a Rua Curvelo, 53 (hoje Dias de Barros), tornando-se vizinho de Ribeiro Couto. Numa reunião na casa de Ronald de Carvalho, em Copacabana, no ano de 1921, conhece Mário de Andrade. Estavam presentes, entre outros, Oswald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda e Osvaldo Orico.
Inicia então, em 1922, a se corresponder com Mário de Andrade.  Bandeiranão participa da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro em são Paulo, no Teatro Municipal. Na ocasião, porém, Ronald de Carvalho lê o poema "Os Sapos", de "Carnaval". Meses depois Bandeira vai a São Paulo e conhece Paulo Prado, Couto de Barros, Tácito de Almeida, Menotti del Picchia, Luís Aranha, Rubens Borba de Morais, Yan de Almeida Prado. No Rio de Janeiro, passa a conviver com Jaime Ovalle, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Prudente de Morais, neto, Dante Milano. Colabora em Klaxon. Ainda nesse ano morre seu irmão, Antônio Ribeiro de Souza Bandeira.
Em 1924 publica, às suas expensas, Poesias, que reúne A Cinza das Horas, Carnaval e um novo livro, O Ritmo Dissoluto. Colabora no "Mês Modernista", série de trabalhos de modernistas publicado pelo jornal A Noite, em 1925. Escreve crítica musical para a revista A Idéia Ilustrada. Escreve também sobre música para Ariel, de São Paulo.
A serviço de uma empresa jornalística, em 1926 viaja para Pouso Alto, Minas Gerais, onde na casa de Ribeiro Couto conhece Carlos Drummond de Andrade. Viaja a Salvador, Recife, Paraíba (atual João Pessoa), Fortaleza, São Luís e Belém. No ano seguinte continua viajando: vai a Belo Horizonte, passando pelas cidades históricas de Minas Gerais, e a São Paulo. Viaja a Recife, como fiscal de bancas examinadoras de preparatórios. Inicia uma colaboração semanal de crônicas no Diário Nacional, de São Paulo, e em A Província, de Recife, dirigido por Gilberto Freyre. Colabora na Revista de Antropofagia.
1930 marca a publicação de Libertinagem, em edição como sempre custeada pelo autor. Muda-se, em 1933, da Rua do Curvelo para a Rua Morais e Vale, na Lapa. É nomeado, no ano de 1935, pelo Ministro Gustavo Capanema, inspetor de ensino secundário.
Grandes comemorações marcam os cinqüenta anos do poeta, em 1936, entre as quais a publicação de Homenagem a Manuel Bandeira, livro com poemas, estudos críticos e comentários, de autoria dos principais escritores brasileiros. Publica Estrela da Manhã (com papel presenteado por Luís Camilo de Oliveira Neto e contribuição de subscritores) e Crônicas da Província do Brasil.
Recebe o prêmio da Sociedade Filipe de Oliveira por conjunto de obra, em 1937, e publica Poesias Escolhidas Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica.
No ano seguinte é nomeado professor de literatura do Colégio Pedro II e membro do Conselho Consultivo do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Publica Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasianae Guia de Ouro Preto.
Em 1940 é eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Luís Guimarães Filho. Toma posse em 30 de novembro, sendo saudado por Ribeiro Couto. Publica Poesias Completas, com a inclusão da Lira dos Cinqüent'Anos(também esta edição foi custeada pelo autor). Publica ainda Noções de História das Literaturas e, em separata da Revista do BrasilA Autoria das Cartas Chilenas.
Começa a fazer crítica de artes plásticas em A Manhã, em 1941, no Rio de Janeiro. No ano seguinte é nomeado membro da Sociedade Filipe de Oliveira. Muda-se para o Edifício Maximus, na Praia do Flamengo. Organiza a edição dos Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental.
Nomeado professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia, em 1943, deixa o Colégio Pedro II. Muda-se, em 1944, para o Edifício São Miguel, na Avenida Beira-Mar, apartamento 409. Publica Obras Poéticas de Gonçalves Dias, edição crítica e comentada. No ano seguinte publica Poemas Traduzidos, com ilustrações de Guignard.
Recebe o prêmio de poesia do IBEC por conjunto de obra, em 1946. PublicaApresentação da Poesia Brasileira e Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos.
Em 1948 são reeditados três de seus livros: Poesias Completas, com acréscimo de Belo Belo; Poesias Escolhidas Poemas Traduzidos. Publica Mafuá do Malungo (impresso em Barcelona por João Cabral de Melo Neto) e organiza uma edição crítica das Rimas de João Albano. No ano seguinte publica Literatura Hispano-Americana e traduz O Auto Sacramental do Divino Narciso de Sóror Juana Inés de la Cruz.
A pedido de amigos, apenas para compor a chapa, candidata-se a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro, em 1950, sabendo que não tem quaisquer chances de eleger-se. No ano seguinte publica Opus 10 e a biografia deGonçalves Dias. É operado de cálculos no ureter.  Muda-se, em 1953, para o apartamento 806 do mesmo edifício da Avenida Beira-Mar.
No ano de 1954 publica Itinerário de Pasárgada De Poetas e de Poesia. Faz conferência no Teatro Municipal do Rio de Janeiro sobre Mário de Andrade. Publica 50 Poemas Escolhidos pelo Autor, em 1955. Traduz Maria Stuart, de Schiler, encenado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em junho, inicia colaboração como cronista no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, e na Folha da Manhã, de São Paulo. Faz conferência sobre Francisco Mignone no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Traduz Macbeth, de Shakespeare, e La Machine Infernale, de Jean Cocteau, em 1956. É aposentado compulsoriamente, por motivos da idade, como professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia.
Traduz as peças Juno and the Paycock, de Sean O'Casey, e The Rainmaker,de N. Richard Nash, em 1957. Nesse ano, publica Flauta de Papel. Em julho visita para a Europa, visitando Londres, Paris, e algumas cidades da Holanda. Retorna ao Brasil em novembro. Escreve, até 1961, crônicas bissemanais para o Jornal do Brasil e a Folha de São Paulo.
Em 1958, publica Gonçalves Dias, na coleção "Nossos Clássicos" da Editora Agir. Traduz a peça Colóquio-Sinfonieta, de Jean Tardieu. Publicada pela Aguilar, sai em dois volumes sua obra completa -- Poesia e Prosa.
No ano seguinte traduz The Matchmaker (A Casamenteira), de Thorton Wilder. A Sociedade dos Cem Bibliófilos publica Pasárgada, volume de poemas escolhidos, com ilustrações de Aldemir Martins.
Em 1960 traduz o drama D. Juan Tenório, de Zorrilla. Pela Editora Dinamene, da Bahia, saem em edição artesanal Estrela da Tarde e uma seleção de poemas de amor intitulada Alumbramentos. Sai na França, pela Pierre Seghers,Poèmes, antologia de poemas de Manuel Bandeira em tradução de Luís Aníbal Falcão, F. H. Blank-Simon e do próprio autor.
No ano seguinte traduz Mireille, de Fréderic Mistral. Começa a escrever crônicas semanais para o programa "Quadrante" da Rádio Ministério da Educação. Em 1962 traduz o poema Prometeu e Epimeteu de Carl Spitteler.
Escreve para a Editora El Ateneo, em 1963, biografias de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Castro Alves. A Editora das Américas edita Poesia e Vida de Gonçalves Dias. Traduz a peça Der Kaukasische Kreide Kreis, de Bertold Brecht. Escreve crônicas para o programa "Vozes da Cidade" da Rádio Roquette-Pinto, algumas das quais lidas por ele próprio, com o título "Grandes Poetas do Brasil".
Traduz as peças O Advogado do Diabo, de Morris West, e Pena Ela Ser o Que É, de John Ford. Sai nos EUA, pela Charles Frank Publications, A Brief History of Brazilian Literature (tradução, introdução e notas de R. E. Dimmick), em 1964.
No ano de 1965 traduz as peças Os Verdes Campos do Eden, de Antonio Gala. A Fogueira Feliz, de J. N.Descalzo, e Edith Stein na Câmara de Gás de Frei Gabriel Cacho. Sai na França, pela Pierre Seghers, na coleção "Poètes d'Aujourd'hui", o volume Manuel Bandeira, com estudo, seleção de textos, tradução e bibliografia por Michel Simon.
Comemora 80 anos, em 1966, recebendo muitas homenagens. A Editora José Olympio realiza em sua sede uma festa de que participam mais de mil pessoas e lança os volumes Estrela da Vida Inteira (poesias completas e traduções de poesia) e Andorinha Andorinha (seleção de textos em prosa, organizada por Carlos Drummond de Andrade). Compra uma casa em Teresópolis, a única de sua propriedade ao longo de toda sua vida.
Com problemas de saúde, Manuel Bandeira deixa seu apartamento da Avenida Beira-Mar e se transfere para o apartamento da Rua Aires Saldanha, em Copacabana, de Maria de Lourdes Heitor de Souza, sua companheira dos últimos anos.
No dia 13 de outubro de 1968, às 12 horas e 50 minutos, morre o poetaManuel Bandeira, no Hospital Samaritano, em Botafogo, sendo sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista.

Bibliografia
:
Poesia:
- A Cinza das Horas - Jornal do Comércio - Rio de Janeiro, 1917 (Edição do Autor)
- Carnaval - Rio de janeiro,1919 (Edição do Autor)
- Poesias (acrescida de O Ritmo Dissoluto) - Rio de Janeiro, 1924
- Libertinagem - Rio de Janeiro, 1930 (Edição do Autor)
- Estrela da Manhã - Rio de Janeiro, 1936 (Edição do Autor)
- Poesias Escolhidas - Rio de Janeiro, 1937
- Poesias Completas acrescida de Lira dos cinqüent'anos) - Rio de Janeiro, 1940 (Edição do Autor)
- Poemas Traduzidos - Rio de Janeiro, 1945
- Mafuá do Malungo - Barcelona, 1948 (Editor João Cabral de Melo Neto)
- Poesias Completas (com Belo Belo) - Rio de Janeiro, 1948
- Opus 10 - Niterói - 1952
- 50 Poemas Escolhidos pelo Autor - Rio de Janeiro, 1955
- Poesias completas (acrescidas de Opus 10) - Rio de Janeiro, 1955
- Poesia e prosa completa (acrescida de Estrela da Tarde), Rio de Janeiro, 1958
- Alumbramentos - Rio de Janeiro, 1960
- Estrela da Tarde - Rio de Janeiro, 1960
- Estrela a vida inteira, Rio de Janeiro, 1966 (edição em homenagem aos 80 anos do poeta).
- Manuel Bandeira - 50 poemas escolhidos pelo autor - Rio de Janeiro, 2006.
Prosa:
- Crônicas da Província do Brasil - Rio de Janeiro, 1936
- Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938
- Noções de História das Literaturas - Rio de Janeiro, 1940
- Autoria das Cartas Chilenas - Rio de Janeiro, 1940
- Apresentação da Poesia Brasileira - Rio de Janeiro, 1946
- Literatura Hispano-Americana - Rio de Janeiro, 1949
- Gonçalves Dias, Biografia - Rio de Janeiro, 1952
- Itinerário de Pasárgada - Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954
- De Poetas e de Poesia - Rio de Janeiro, 1954
- A Flauta de Papel - Rio de Janeiro, 1957
- Itinerário de Pasárgada - Livraria São José - Rio de Janeiro, 1957
- Prosa - Rio de Janeiro, 1958
- Andorinha, Andorinha - José Olympio - Rio de Janeiro, 1966
- Itinerário de Pasárgada - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1966
- Colóquio Unilateralmente Sentimental - Editora Record - RJ, 1968
- Seleta de Prosa - Nova Fronteira - RJ
- Berimbau e Outros Poemas - Nova Fronteira - RJ
Antologias:
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Romântica, N. Fronteira,  RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana - N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 1, N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Moderna - Vol. 2, N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros Bissextos Contemporâneos, N. Fronteira, RJ
- Antologia dos Poetas Brasileiros - Poesia Simbolista, N. Fronteira, RJ
- Antologia Poética - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1961
- Poesia do Brasil - Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1963
- Os Reis Vagabundos e mais 50 crônicas - Editora do Autor, RJ, 1966
- Manuel Bandeira - Poesia Completa e Prosa, Ed. Nova Aguilar,  RJ
- Antologia Poética (nova edição), Editora N. Fronteira, 2001
Em conjunto:

Quadrante 1 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1962
  (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira
  de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)

- Quadrante 2 - Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1963
  (com Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Dinah Silveira
  de Queiroz, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga)

- Quatro Vozes - Editora Record - Rio de Janeiro, 1998
  (com Carlos Drummond de Andrade, Rachel de Queiroz e Cecília
  Meireles)

- Elenco de Cronistas Modernos - Ed. José Olympio - RJ
  (com Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga

- O Melhor da Poesia Brasileira 1 - Ed. José Olympio - Rio de Janeiro
  (com Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto)

- Os Melhores Poemas de Manuel Bandeira (seleção de Francisco de
  A. Barbosa) - Editora Global - Rio de Janeiro)
Seleção e Organização:
- Sonetos Completos e Poemas Escolhidos de Antero de Quental
- Obras Poéticas de Gonçalves Dias, 1944
- Rimas de José Albano, 1948
- Cartas a Manuel Bandeira, de Mário de Andrade, 1958
Multimídia:
- CD "Manuel Bandeira: O Poeta de Botafogo" - Gravações inéditas feitas pelo poeta e por Lauro Moreira, tendo como fundo musical peças de Camargo Guarnieri interpretadas pelo pianista Belkiss Carneiro Mendonça, 2005.
Sobre o Autor:
- Homenagem a Manuel Bandeira, 1936

- Homenagem a Manuel Bandeira (edição fac-similar), 1986

- Bandeira a Vida Inteira - Edições Alumbramento, Rio de Janeiro, 1986
  (com um disco contendo poemas lidos pelo autor).

Dados obtidos em livros de Manuel Bandeira, e nas publicações "Homenagem a Manuel Bandeira" e "Bandeira a Vida Inteira", na Academia Brasileira de Letras e sites da Internet.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

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MARCIANO VASQUES disse...

Glória,
Este blog acaba de receber o Selo Casa Azul da Literatura. Parabéns!,
O Selo certifica a promoção e a difusão da cultura entre os povos.
Marciano Vasques


domingo, 5 de setembro de 2010

A Magia de Cecília Meireles

Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena.
Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura.
Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria da minha boca se ergue apondo o sonho e a vida juntos.
O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto: - todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste!
Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente!
Cecília Meireles nasceu no Rio de Janeiro a 7 de Novembro de 1901. Orfã de pai e mãe foi educada pela avó materna.
Formou-se na Escola Normal e dedicou-se ao magistério, à literatura e ao jornalismo.
Entregou-se também a uma campanha de reforma educacional, dava conferências de literatura brasileira em Portugal e nos Açores, nos Estados Unidos, na América do Sul, na Índia e Goa. Foi nomeada professora da literatura luso-brasileira da Universidade do Distrito Federal.
Em 1917 ingressou na literatura com o livro de versos Espectros. O seu aparecimento coincide com a eclosão do movimento modernista, mas o lugar de Cecília Meireles dentro deste movimento é bastante particular. A poesia dela é ligada à estética simbolista e ao lirismo trovadoresco português. Segundo Otto Maria Carpeaux “a poesia de Cecília Meireles tem suas raízes no simbolismo, o que explica certas incompreenções pertinazes no Brasil.
(…) Não é, por isso, menos brasileira, apenas menos modernista e, na verdade, intemporal.
Algumas obras, entre outras:
- Viagem
- Nunca Mais
- Baladas para El-Rei
- Vaga Música
- Mar Absoluto
- Retrato Natural
- Amor em Leonoreta
e ainda outros livros de versos, ensaios, biografías, traduções e várias peças de teatro.

Cecília Meireles faleceu no Rio de Janeiro, a 9 de Novembro de 1964.
A Academia Brasileira de Letras concedeu em 1965 à poetisa, post mortem, o Prémio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.

sábado, 28 de agosto de 2010

Rumi, o místico do amor

A efusão do amor em Rumi é tão avassaladora que abraça tudo, o universo, a natureza, as pessoas e principalmente Deus. No fundo trata-se do único movimento do amor que não conhece divisões, mas que enlaça todas as coisas numa unidade última e radical tão bem expressa no poema Eu sou Tu : "Tu, que conheces Jalal ud-Din (nome de Rumi). Tu, o Um em tudo, diz quem sou. Diz:eu sou Tu". Ou o outro:" De mim não resta senão um nome, tudo o resto é Ele".
Um dos mais belos poemas, por sua densidade amorosa, me parece ser este, tirado do Rubai’yat: "O teu amor veio até meu coração e partiu feliz. Depois retornou, vestiu a veste do amor, mas mais uma vez foi embora. Timidamente lhe supliquei que ficasse comigo ao menos por alguns dias. Ele se sentou junto a mim e se esqueceu de partir". 
Passo a passo, ele ascendeu para além do sol e da lua,
E não ficou para trás, como uma corrente que tranca uma porta.
Uma vez que o "Amigo de Deus" ascendeu acima dos céus,
E disse: "Não amo a deuses que se põem",
Então esse mundo do corpo é um viveiro de concepções errôneas
A todos os que não escapam da luxúria.


Rumi
EU QUERO UM AMANTE...


que quando se mova,
ou se levante,
deva erguer-se da morte,
jorrando fogo para todos os lados.

Nós ansiamos por um amor
como o inferno;
um amor que queima
do inferno até a superfície;
um amor que desafia as ondas do mar
e atira centenas de mares no fogo.

Envolve os céus
como um lenço em suas palmas.
E suspende a luz inexaurível
no forro do mundo.

Com a humildade de um crocodilo
deve lutar como um leão,
não deixando ninguém exceto ele mesmo;
luta, então, com ele mesmo.

deve rasgar as sete cortinas do amor
com a intensidade da sua luz
e os céus devem responder:
'Maravilha! Maravilha!
Uma vez que ele encontre a saída do Sétimo Mar
e dirija-se ao Monte Kaf, ele deverá
distribuir muitas pérolas e corais
pelos continentes da terra...'"


Rumi
Fica


Tocaste a órbita do coração celeste,
agora fica aqui.
Pudeste ver a lua nova
agora fica.

Sofreste em excesso por tua ignorância,
carregaste teus trapos
para um lado e para outro,
agora fica aqui.

Teu tempo acabou.
Escutaste tudo o que se pode dizer
sobre a beleza desse amante,
fica aqui agora.

Juraste em teu coração
que havia leite nesses seios,
agora que provaste desse leite,
fica.



Rumi
Atenta para as sutilezas
que não se dão em palavras.
Compreende o que não se deixa
capturar pelo entendimento.

Dentro do coração empedernido do homem
arde o fogo que derrete o véu de cima abaixo.
Desfeito o véu,
o coração descobre as histórias do Hidr
e todo o saber que vem de nós.

A antiga história de amor
entre a alma e o coração
regressa sempre
em vestes renovadas.

Ao recitares "sol"
contempla o sol.
Sempre que recitares "não sou",
contempla a fonte do que és.


Rumi

Jalal ad-Din Muhammad Rumi

Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī (مولانا جلال الدین محمد رومی), também conhecido como Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Balkhī (محمد بلخى), ou ainda apenas Rumi, (30 de setembro de 1207–17 de Dezembro de 1273), foi um poeta, jurista e teólogo muçulmano persa do século XIII. Seu nome significa literalmente "Majestade da Religião"; Jalal significa "majestade" e Din significa "religião". Rumi é, também, um nome descritivo cujo significado é "o romano", pois ele viveu grande parte da sua vida na Anatólia, que era parte do Império Bizantino dois séculos antes. 
Ele nasceu em Balkh (no hoje Afeganistão, então parte da Pérsia), a cidade natal da família de seu pai. Esta cidade estava nesta época sob a esfera de influência da região de Khorasan e era parte do Império Khwarezmio. 
Ele viveu a maior parte de sua vida sob o Sultanato de Rum, onde produziu a maior parte de seus trabalhos e morreu em 1273 CE. Foi enterrado em Konya e seu túmulo tornou-se um lugar de peregrinação. Após sua morte, seus seguidores e seu filho Sultan Walad fundaram a Ordem Sufi Mawlawīyah, também conhecida como ordem dos Dervishes girantes, famosos por sua dança Sufi conhecida como cerimônia .Os trabalhos de Rumi foram escritos em novo persa. Uma renascenca literária persa (séc. VIII/IX) começou nas regiões de Sistan, Khorāsān e Transoxiana e por volta do século X/XI, ela substituiu o árabe como língua literária e cultural no mundo islâmico persa. Embora os trabalhos de Rumi foram escritos em persa, a importância de Rumi transcend fronteiras étnicas e nacionais. Seus trabalhos originas são extensamente lidos em sua língua original em toda a região de fala persa. Traduções de seus trabalhos são bastante populares no sul da Ásia, em turco, árabe, e nos países ocidentais.
Trabalhos poéticos


A principal obra de Rumi é o Maṭnawīye Ma'nawī (Dísticos Espirituais; مثنوی معنوی), um poema em seis volumesa considerado por alguns sufis como o Corão em língua persa. É considerado por muitos como um dos maiores trabalhos de poesia mística.

A outra grande obra de Rumi é o Dīwān-e Kabīr (Grande Obra) ou Dīwān-e Shams-e Tabrīzī (As Obras de Shams de Tabriz; دیوان شمس تبریزی intitulado em honra do grande amigo e inspiração de Rumi, o dervixe Shams) e contendo aproximadamente quarenta mil versos. Várias razões foram dadas para a decisão de Rumi de dar o nome de Shams à sua obra prima; algumas pessoam defendem a idéia de que já que Rumi não teria sido um poeta sem Shams, é justo que a coleção receba seu nome. 
Trabalhos em Prosa


Fihi Ma Fihi (Nele o Que Estiver Nele, Persa: فیه ما فیه) é uma coletânea de setenta e uma palestras dadas por Rumi em várias ocasiões para seus discípulos. Foi compilada a partir das anotações de vários de seus discípulos, e portanto Rumi não escreveu o trabalho diretamente. Uma tradução para o inglês a partir do persa foi publicada pela primeira vez por A.J. Arberry como os Discourses of Rumi (Discursos de Rumi) (New York: Samuel Weiser, 1972), e uma tradução do segundo livro por Wheeler Thackston, Sign of the Unseen (Sinal do Invisível) (Putney, VT: Threshold Books, 1994). 
Majāles-e Sab'a (Sete Sessões, Persa: مجالس سبعه) contêm se sermões persas (como implicado pelo nome) ou palestras dadas em diferentes assembléias. Os sermões propriamente dão um comentário sobre o sentido mais profundo do Corão e do Hadith. Os sermões também incluem citações dos poemas de Sana'i, 'Attar e outros poetas, incluindo o próprio Rumi. Como relatado por Aflakī, após o Shams-e Tabrīzī, Rumi deu sermões pela requisição de notáveis, especialmente Salāh al-Dīn Zarkūb. 
Makatib (As Cartas, Persa: مکاتیب) é o livro contendo as cartas de Rumi em persa para seus discípulos, familiares e homens influentes e do governo. As cartas testificam que Rumi estava bastante ocupado ajudando familiares e administrando uma comunidade de discípulos que cresceu ao redor deles.


FONTE DE PESQUISA:http://pt.wikipedia.org/wiki/Jalal_ad-Din_Muhammad_Rumi

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

POEMAGEM -Jack Bosmans

NO ENCONTRO DE NÓS DOIS


No encontro de nós dois
Despi-me das armaduras e me revesti de desapegos
Não te queria. Pra que te ter?
No encontro de nós dois era importante que continuássemos dois
Não encontramos pedaços perdidos de nós
Encontramos inteiros que podemos amar.
No encontro de nós dois
Abriu-se uma fenda na paisagem daquele por de sol
Não te queria em despedidas nem mesmo em reencontros
Cada amanhecer me pertencia e eu te oferecia em bandejas,
Ainda na cama, os primeiros raios da luz.
No encontro de nós dois
Teve lua, teares de estrelas, e convite pra ser feliz.
Beijos com um só riso, e me aconcheguei logo, em quase nada.
E que era tudo.
Me desfiz em lágrimas, e colhi-as nas mãos,
Só pra jogar pro alto e vê-las se transformando em brilhos.
No encontro de nós dois
Grandes cavalos alados e pequenas gotas de vento
Transformavam cada palavra em vestimentas de ternura.
Foi assim que se deu em mágicas, aventuras, e sonhos
O encontro de nós dois.
Jaak Bosmans

JACK BOSMANS: O PAI DA “POEMAGEM”





Arthur Jaak Wilfrid Bosmans, ou apenas Jack Bosmans, nasceu em BH, Minas Gerais.
Começou seus estudos de piano clássico aos 7 anos, optando mais tarde pelo rock e pela MPB,quando participou de algumas bandas e compôs junto com o poeta e amigo Adão Ventura, algumas canções para o Festiva Estudantil da Canção.
E foi, justamente através de Adão Ventura, que Jack interessou-se pela literatura e começou a escrever, sendo então convidado a ser um dos colaboradores do Suplemento Literário do Minas Gerais.
Concomitantemente, surgiu o interesse pelas artes plásticas, ingressando na Escola Guignard. Logo depois, ingressou para a faculdade de Engenharia, para cursar Mecânica.
Seu primeiro emprego, foi como câmera-man da extinta TV Itacolomi. Nesse mesmo período, realizou um curso da Academia Mineira de Letras, a convite de Murilo Rubião. Interessou-se pela força da imagem e ingressou na Publicidade, onde criava e dirigia comercias.
Na sequência, dedicou-se ao cinema, indo para Bélgica, onde concluiu o curso de Diretor e produtor cinematográfico. Voltou para o Brasil, em 1976, mas encontrou dificuldade em abrir campo para a produção cinematográfica própria, passando, então a se dedicar à publicidade, onde conquistou vários prêmios nacionais e internacionais.
Até então, seus poemas eram apenas engavetados. Em 2002, convidado para dar aula de cinema na UNITRI, conheceu a Professora Drª. Kenia Maria de Almeida Pereira, do curso de literatura, que um dia vendo seus poemas o incentivou a desenvolver mais ainda esse lado.
Criador do movimento POEMAGEM em 2002, é hoje chamado o “pai” da Poemagem, com diversos seguidores não só no nosso país como na America Latina e Europa. Com toda a bagagem adquirida, Jaak criou o curso de especialização “O cinema e a literatura na sala de aula”, na mesma universidade, onde foi professor e coordenador. Ali desenvolveu junto com os alunos vídeo poemas, como trabalho final do curso, obtendo sucesso imediato, pela novidade e tendência do momento.
A poesia começa a tomar mais força, como seu principal trabalho profissional, em 2004, quando recebeu muitos elogios e teve seus poemas inseridos em vários sites especializados, junto a consagrados poetas. Com um estilo bastante vigoroso e surrealista nunca deixou de transparecer a ternura, a solidão, o abandono, seus conflitos internos e sua “não” relação com o mundo.
Seus poemas estão no Recanto da Letras e Colméia Literária. Os internautas, através do Google, também encontrarão diversos trabalhos de Jack Bosmans.
Antologias:Latinidade Poética, Delicatta IV, Coração de Poeta (a sair), e em várias comunidades poéticas.
Atualmente, faz palestras e oficinas sobre poemagem, tendo sempre como objetivo um mix dos diversos meios visuais e textuais na composição poética.
É o atual Presidente da Academia de Artes Letras e Cultura “Maestro Arthur Bosmans”, Vice presidente da Universidade Planetária do Futuro, Coordenador do Núcleo Artforum Brasil XXI de Belo Horizonte e Cônsul Poetas Del Mundo B. Serra

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Poeta Marçal Filho

Quisera Quintanear,
mas Cecília não deixou,
na teimosia de Clarice
meu verso torto, Drummondiou.

Aí, dei de sonhar Pessoa,
mas Coralina apareceu-me
e na vertente de Tagore
tudo Rabindranathaneou,

então Patativa de mansinho
quis deixar que Alencar
viesse versar Castro Alves,
pois tudo se faz cordelar...

eu, aqui das Minas meninas
dos olhos da cor do mel;
verso um coração que rima
com (dez)rimares no céu.

Marçal Filho

Apresentação


Sou o caos do impossível
verossímil e muito mais
sou a folha que secou
húmus da terra
semente que caiu
planta que não vingou...
Não me faço indefeso
nem coeso nem servil
e nessa impossibilidade
não me importa na verdade
provar nada pra ninguém...
Sou a lâmina da adaga
e a distorção dos fatos
acho mesmo que sou nada
mas se o nada é absoluto
vou em outra direção...
Nem passivo
nem ativo
nem esquivo
mas quando for me procurar
posso estar noutro lugar
ou em tudo estar oculto...
Marçal Filho

Poeta Marçal Filho


José Marçal da Fonseca Filho, Músico, Compositor, Cantor, Poeta, Contista, Cronista e Editor do Jornal Cultural Pedra Lisa, residente em Itabira MG. Presidente da Associação dos Músicos de Itabira e Membro da ASPI Associação dos Poetas e Escritores Itabiranos. Seu primeiro Romance “O Afilhado”, foi lançado em julho de 2007. É um dos compositores da Canção Vida de Tropeiro, oficializada por Decreto Lei Municipal como Hino Oficial do Museu do Tropeiro localizado no Distrito de Ipoema MG, no Circuito da Estrada Real. É um dos autores da Letra e Música: Minha Voz, adotada pelos Grupos CVV's (Centro de Valorização da Vida) de todo o Brasil. Participou e foi premiado em vários Festivais de MPB Brasil afora, tem composições gravadas nos dois CD’s dos Festivais de Marchinhas Carnavalescas da Cidade de Santa Luzia MG, atualmente é um dos componentes do Movimento Trial, um movimento Lítero-Musical que tem por finalidade a reunião de amigos poetas e compositores itabiranos para o desenvolvimento da música de requinte e de qualidade. É um dos idealizadores do FEMAM “Festival de Música da Amita” Festival este, que reúne grandes talentos musicais de várias partes do país na cidade de Itabira MG terra de Drummond.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

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RUMI disse... Poetisa Cora Coralina.. 
.Bebo com prazer da tua água, feito poesia, onde transito nas suas lendas feito canção!
Visito os becos do teu Goiás, como se visitasse tua alma poética que derrama poesia em tudo que fez... Teu poemas, não é nada mais do que uma ferramenta para o mundo. Nas tuas mãos Cora querida, essa ferramenta é sempre usada de forma delicada, tão presente no DNA dos teus versos, que respeita a beleza insuspeitada do mundo! Tua poesia acaba por me impor seu fascínio, me ajudando a alicerçar o pensamento sobre coisas tão simples e tão belas, que sustentam o teu reinado nas letras
poéticas no Brasil!
Queria poder eu, te dizer o que aqui escrevo...
Como não posso... Deixo em tua memória o meu beijo e a minha paixão!
Poeta - Osmar P. de Vasconcelos