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quarta-feira, 27 de abril de 2011

A POESIA DE HELENA KOLODY: BUSCA DO ESSENCIAL

A inquietação é um dos eixos temáticos da poesia de Helena Kolody, visto como questionamento da linguagem e como uma solicitação original da consciência; uma agitação interior do sujeito, voltando-se para si-mesmo. Assim, ele se vê forçado "a inquirir os sinais de sua origem e transcendência, procurando na existência o sentido da vida", tal como afirma o filósofo Lavigne3. O poeta - "instaurador de sentido nos signos", no dizer de Esteban4, - é um ser em constante busca, deixando transparecer no poema sua inquietação e questionamentos. Em se tratando da questão da brevidade da vida, a poesia é o sinal do ser humano e seu testemunho perante o futuro. Na modernidade, segundo Paz, "o poema assume a forma da interrogação. Não é o homem que pergunta: a linguagem nos interroga"5. 
No itinerário poético de Helena Kolody, poeta da modernidade, evidenciam-se certas temáticas constantes, dentre as quais, a questão da brevidade da existência, a inquietação do poeta em relação à vida, ora a exaltação intensa da vida ora o desencanto. Também, percebe-se a temática do amor, do desejo de realização, da questão da vida e da morte, da solidão e busca de sentido para a existência. Em sua poesia, a vertente da religiosidade - a nostalgia da totalidade, a aspiração ao absoluto ("Tu", "Senhor", "Deus") - aponta para o desejo de um mundo transcendente. A questão da brevidade da vida e transcendência ficam evidentes no poema Mergulho6. O sujeito lírico revela-se inquieto, dividido entre o plano terreno e o espiritual: 
Almejo mergulhar
na solidão e no silêncio,
para encontrar-me
e despojar-me de mim,
até que a Eterna Presença
seja a minha plenitude (p. 70). 

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